Opinião: Como sinto os sons da música
em 9 Agosto, 2009 |Acho que… se bem lembro, tudo deve ter começado por volta dos meus cinco ou seis anos, quando na radiola da casa dos meus pais eu curtia ficar ouvindo e “viajando” nos discos de Nelson Gonçalves, Dorival Caymmi, Elizete Cardoso e um grupo de blues americano – não lembro agora o nome –, passava horas junto à radiola.
Depois, na década de sessenta, veio a Jovem Guarda, Roberto Carlos, Jerry Adriani, Ronnie Von, Golden Boys e tantos mais. Foi também meu primeiro contato com Elvis Presley e Beatles. Daí começou a se formar uma tendência musical em mim que foi evoluindo na década seguinte para o Rock mais comportamental. Isto porque o Rock não é só um tipo de música; é um estilo de vida que mexe e remexe todo o seu comportamento físico, social e mental, sem contar com o emocional, é claro.
Os anos 70 foram os melhores e mais gratificantes para o Rock ‘n’ Roll. Conheci Pink Floyd, Led Zeppellin, Uriah Heep, Be Bop Deluxe, Deep Purple, Rick Wakeman e tantos outros que literalmente fizeram não só a minha cabeça como também meu comportamento – principalmente o gosto para escrever poemas e sentimentos – e por que não dizer, lapidaram a minha alma adolescente! Esses anos inspirados criaram não só em quantidade de bandas e cantores e compositores para o Rock como também em altíssima qualidade musical e de letras que ecoam sempre em nossas mentes. Daí em diante tudo que veio perdeu um pouco da magia e importância para mim. É óbvio que tem coisas bem interessantes, músicos e letristas de alta qualidade hoje em dia. Poucos… escassos, mas existem.
Pós meus “sons siderais” e minha era de magia, o Rock muito pouco ganhou de novo. Acho que o que veio depois – o que é hoje – não trouxe novidades e sim derivações, distorções, aberrações e mutações do mesmo tema. O Rock ‘n’ Roll continua e continuará sendo muito mais um estilo de vida do que musical.
Infelizmente, aqui na nossa terra brazilis a qualidade musical e comportamental é bem diferente, muito aquém do que gostaria que fosse. Existem alguns estilos musicais, excelentes letristas, poetas mesmo, que faço questão em escutar. Caras como: Djavan, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso (quando ainda estava lúcido), Fagner, Vinícius de Moraes e outros. Bandas como: Paralamas, Nenhum de Nós, Legião, Engenheiros, e um restinho mais.
Aqui na Bahia, especificamente em Salvador, a coisa tomou um rumo tão violentamente diferente e negativo que fico não só preocupado como também profundamente penalizado com os adolescentes dessa cidade. “Triste Bahia”! O nível desceu tanto que penso que somente com uma revolução bastante radical a música audível poderá retornar à nossa terra. Coisas como Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, e tantos outros, principalmente os “pagodeiros”, deveriam ser exterminados definitivamente do meio musical, não só pela péssima qualidade que têm – se é que existe alguma – como pelos nocivos exemplos que passam para a juventude baiana e, pior, para a brasileira. Parece que do jeito que vai, dificilmente os jovens poderão ter seus ouvidos educados para uma sonoridade de alta qualidade e suas mentes plugadas em estilos e poemas de alta resolução!
Enfim, acho que é por aí e por aqui também!
