A atriz Juliana Bebé estréia “Amanheceu”, que conta com música inédita e especialmente composta por Milton Nascimento

em 26 Novembro, 2009 | Matérias


A atriz Juliana Bebé se prepara para estrear em Salvador o seu primeiro espetáculo solo, intitulado “Amanheceu”, que trata da temática da violência contra a mulher. A peça, que está em processo de criação desde 2007, traz uma música inédita e especialmente composta por Milton Nascimento para o espetáculo, além de uma exposição fotográfica sobre o tema. Conversamos com Juliana Bebé, que nos contou maiores detalhes sobre a peça e a sua carreira.

Salvador Alternativo: O que o público pode esperar de “Amanheceu”?

Juliana Bebé: “Amanheceu” se propõe a ser um espetáculo simples de comunicação direta, onde sua mola propulsora é alertar para as ainda aceitáveis violências contra a mulher, que são de vários tipos: física, psicológica, estética, sexual… Mas para falar de um tema tão vasto e profundo, usamos muito o humor. O espetáculo dura em média  50 minutos, nele pode-se rir, chorar, tomar consciência e tentar mudar uma realidade vergonhosa, afinal a cada 15 segundos uma mulher é agredida! E isso é responsabiliade de qualquer ser humano, a partir do momento em que se torna uma realidade aceitável! E pra combater um dado de tamanha força, o primeiro passo é falar, propor a discussão sobre o tema!

S.A.: Este é o seu primeiro espetáculo solo. Conte-nos um pouquinho sobre a sua carreira.

J.B.: Então… fora todo o contato com teatro amador na época do colégio, eu comecei a buscar a minha profissionalização em 2001, fazendo um curso com Gilberto Filho, que também dirigia uma Cia de Teatro chamada ” Cia de Teatro Caras e Bocas”. Neste mesmo ano fui convidada a fazer parte da Cia, juntamente com Laura Franco, a diretora de ” Amanheceu”. Ou seja, começamos juntas! Passei 2 anos na Cia, apresentamos espetáculos adultos e infantis. Depois, a fim de solidificar mais conhecimento, aprimorar técnicas, fui fazer o “Curso Livre de Teatro da UFBA”, onde fiz parte da XIX Turma, que teve direção de Paulo Cunha e ainda contou com Pedro Henriques, Marta Saback e Jorge Gáspari como professores. Nesta época eu já cursava HIstória na UFBA, mas foi bem no período do Curso Livre que desisto de História e encaro o vestibular para interpretação teatral na mesma instituição! Onde, em 2007, me formo. Durante todo o período do Curso Livre e da Faculdade, eu já trabalhava profissionalmente como atriz.

S.A.: O espetáculo traz uma música inédita e especialmente composta por Milton Nascimento. Como foi este contato? De quem partiu esta idéia?

J.B.: Milton é um querido, uma pessoa de uma sensibilidade ímpar, que sempre participou muito da minha vida, mesmo sem tê-lo conhecido pessoalmente antes. Aliás, Milton com suas músiacas entra na vida de qualquer pessoa da melhor forma, né? Fomos apresentados por um amigo em comum em fevereiro de 2008. E de lá pra cá mantemos contato. Ele continua sendo, cada dia mais, um querido! Já conversamos muito sobre o processo de ” Amanheceu”, tanto sobre o processo artístico como o absurdo do tema ” Violência contra a mulher”, questão, aliás, que ele não tolera. E em meio a estas conversas surgiu a música para “Amanheceu”.

S.A.: Como será a exposição fotográfica associada ao espetáculo? Que fotógrafos participarão?

J.B.: A exposição abordará também o tema da “Violência contra a mulher” só que de forma mais liberta, os fotógrafos convidados tem liberdade total para se posicionar sobre o tema. Entre os fotógrafos estão músicos, atores, cenógrafos, diretores e fotógrafos profissionais conhecidos do mercado. A cada temporada entrará mais 2 fotos de um artista convidado. E este formato se manterá em temporadas fora da Bahia também.

S.A.: Deixe um recado para os leitores do Salvador Alternativo.

J.B.: Eu diria  que ” Amanheceu” é um espetáculo simples, entendendo o simples como algo indispensável, orgânico e vital. É resultado de um longo tempo de pesquisa sobre gênero focando violência contra a mulher. Conta com uma equipe dedicada, nova e talentosa. Eu diria o seguinte, “Amanheceu” é só o primeiro passo. E acho que vale sim muito ir assistir! É um espetáculo feito com e por amor, entendendo o amor como o avesso a qualquer tipo de violência! Compareçam e comprovem!

Sinopse: “Amanheceu” apresenta a história de uma mulher comum, mais uma “Maria” que vive da profissão de costureira, fã de música sertaneja e que tem o rádio como seu companheiro fiel das madrugadas em claro para terminar as encomendas de suas freguesas. Uma “Maria” que, ao longo da apresentação, vai tomando consciência de agressões cotidianas e que são aceitas pela sociedade.

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O espetáculo conta com direção e trilha sonora de Laura Franco, figurino de Hamilton Lima, cenografia de Rodrigo Frota e produção de Cristiane Araújo e Lílian Badú. “Amanheceu” terá pré-estréia em 30 de novembro, às 20h30, no Espaço Casa 29, Largo 2 de julho. As apresentações continuam nos dias 01, 02 e 03; 08, 09 e 10; 15, 16 e 17 de dezembro, sempre às 20h30, no mesmo local, com ingressos a R$ 8 (Valor único, meia entrada para todos).

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Sobre o Autor

Clara Marques Campos é uma aspirante a produtora cultural, graduanda em Comunicação Social na Facom, UFBA, onde participa do Grupo de Pesquisa em Mídia e Música Popular Massiva. Apaixonada por rock e novas tecnologias, alimenta um sonho romântico de conseguir viver trabalhando com música. Mora em Salvador e, aos 22, ainda não sabe muito bem o que é o alternativo. Todos os posts de Clara Marques Campos.