Cobertura: Hoje é Dia de Esquina

em 18 Novembro, 2009 | Coberturas > Resenhas


Por que ninguém por aqui nunca pensou nisso antes? Apresentações artísticas simultâneas nas esquinas de uma das avenidas mais movimentadas e mais frias da cidade, em um dia de semana, e justamente no horário de tráfego intenso. Parece loucura, não? Mas o “Hoje é Dia de Esquina” mostrou como tudo isso é possível de uma forma incrível. Foi sensacional!

Em plena terça-feira, 17 de novembro, entre as 19 e 20h30, a Avenida Manoel Dias da Silva, Pituba, mais precisamente na região das quadras entre as ruas Bahia e Piauí, foi tomada por arte e cultura – e o melhor de tudo, alternativas. Teatro, performance circense, hip hop, grafite e muitos shows de música. Bandas de rock, pop, MPB, surf music, jazz e até música regional tocando ali na calçada, nas esquinas, sem palco, palanque ou qualquer elevação que as afastasse da platéia. Naquele cenário, os músicos eram quase parte daquele público que se aglomerava educadamente em cada aresta da avenida. De graça, pra quem quisesse chegar e participar, simples assim. E tudo isso sem atrapalhar o trânsito e incomodar os condutores.

De uma iniciativa louvável e, ao que parece, organização impecável, “Hoje é Dia de Esquina” foi promovido por Cássia Cardoso, com apoio da Se Ligue Produções e apoio financeiro do Fundo de Cultura da Bahia,  inspirado em um projeto semelhante já realizado no Rio de Janeiro.

A crítica – se é que há espaço para alguma – fica por conta do pouco tempo de duração do evento. Uma hora e trinta minutos não foram suficientes e saímos com sede de mais, depois de correr de um lado para outro tentando aproveitar um pouquinho do que cada esquina tinha pra oferecer. Acontecimentos assim deveriam se repetir, no mínimo, uma vez por mês e durante a noite inteira.

Se a proposta era “fazer uso do espaço público para o convívio saudável, prazeroso, útil e atuante dos cidadãos”, sem mudar a rotina da região, o evento foi um sucesso. Realmente, durante aquele momento, conseguimos olhar para a Manoel Dias de uma forma diferente e aquele espaço urbano parecia verdadeiramente mais humano com o teatro de Aicha Marques e André Tavares, o trabalho circense do grupo Malabares & Cia, o hip hop do DJ Bandido acompanhado das criações de grafite de Denissena, além da música ao vivo com Luizinho Assis, Simone Mota e as bandas Anacê, Banda de Rock, Barlavento, Retrofoguetes e Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta.

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Sobre o Autor

Clara Marques Campos é uma aspirante a produtora cultural, graduanda em Comunicação Social na Facom, UFBA, onde participa do Grupo de Pesquisa em Mídia e Música Popular Massiva. Apaixonada por rock e novas tecnologias, alimenta um sonho romântico de conseguir viver trabalhando com música. Mora em Salvador e, aos 22, ainda não sabe muito bem o que é o alternativo. Todos os posts de Clara Marques Campos.