Cobertura: IV Convenção de Tatuagem Bahia
em 24 Novembro, 2009 | Coberturas > ResenhasA IV Convenção de Tatuagem da Bahia ocorreu neste fim de semana (22 e 23 de novembro) na Casa de Shows Espetáculo. O evento, que tem como objetivo reunir interessados pela arte na pele, contou com expositores de todo Brasil com os mais variados produtos do ramo, além, claro, de tatuadores exibindo suas artes, atuando na profissão e se empenhando para mais tarde participar do concurso (que os premiou em diferentes categorias).
Para Ricardo Soares (“Ubdula”), músico, 25 anos e dono de algumas tatuagens, o principal papel da convenção é disseminar o trabalho artístico dos tatuadores e expandir o conhecimento da população acerca da arte. Embora conviva em ambientes com pessoas de mente mais moderna, afirma que ainda hoje sofre preconceito por conta dos desenhos na pele: “o pessoal mais jovem ‘mascara’ mais, hoje em dia até pára para conversar, antes só olhava como uma coisa negativa (…). Eu acho que mais pessoas poderiam comparecer à convenção. Em outros lugares do país as convenções contam com um público maior; aqui é uma boa oportunidade pra quem nunca foi a estúdios se informar”.
Na programação, que incluiu também palestras, havia uma espécie de festival com shows de rock; dentre as muitas bandas que se apresentaram, se destacam os shows das baianas Pastel de Miolos – que com a música “Terra em Transe” homenageou o criador do Cinema Novo Glauber Rocha (que completaria 70 anos neste ano) –, Vendo 147, Mortícia e o metal da Insantification, da pernambucana AMP e da curitibana Sick Sick Sinners.
Um dos destaques da noite, Alisson, 31 anos, vocalista da banda Pastel de Miolos, considera importante o acontecimento do evento para explorar outra faceta de Salvador e para fortalecer a tão falada homogenia e aceitação. “Trabalho como professor numa escola de rede pública e quando descobrem que toco numa banda de rock, algumas pessoas se espantam por considerarem um absurdo (…). Eu não tenho como ser diferente, respeito todo mundo e também gostaria de ser respeitado” – conta. Quando a pergunta foi sobre a possibilidade desse tipo de evento funcionar mais como um separador do que como um disseminador de cultura, responde: “as portas estão abertas. Quem comparecer será bem vindo; se alguém vier com uma camisa representando uma banda de axé, de forma alguma será hostilizado”. Para ele, o público local deixa a desejar por não comparecer a eventos considerados alternativos e o valor do ingresso não justifica a ausência: “Outros eventos gratuitos são feitos – a exemplo do “Big Bands” – e o público não compareceu. Quando vem alguma banda de fora, as pessoas pagam e assistem. Público existe. O porquê de não comparecerem eu não sei responder; perde quem fica em casa”.
O ambiente e todo evento, de modo geral, foi tranquilo. Ao som do rock, crianças brincavam pelo espaço e num pula-pula próprio para elas. Nisso os organizadores acertaram: o domingo na Convenção pôde ser em família. Entretanto, os imprevistos do segundo dia (24) geraram certo desconforto para o público e para algumas bandas que tiveram seu tempo de apresentação prejudicado pelo rompimento da pele do bumbo. De qualquer forma, nos dois dias o evento seguiu com sua programação e serviu de palco para a performance da argentina La Negra com seu freak show de suspensão.






















Em tempo, uma pequena correção, não é que o público não compareça, o problema é que existe uma galera ainda maior que não vai nem pros eventos gratuitos e fica reclamando que na cidade não tem shows de rock, os eventos como o Big Bands (gratuito) e 4ª Convenção de Tatoo (paga) tem sim uma público, mas poderia ser ainda maior e melhor! obrigado pelo espaço e pela oportunidade!
Beleza, Alisson. Foi um prazer lhe entrevistar. “O problema é que existe uma galera ainda maior que não vai nem pros eventos gratuitos e fica reclamando que na cidade não tem shows de rock”. Concordo contigo. Até a próxima!