Cobertura: Omen resgata heavy metal oitentista durante bate-cabeça em Salvador

em 30 Junho, 2009 | Coberturas > Resenhas


Se a Boomerangue não ficou cheia para o show da banda americana Omen, na noite do último domingo (28/06), houve público suficiente para a realização de uma louvável celebração ao heavy metal. Entre os fãs presentes, era possível encontrar até mesmo detentores de bolachões da banda surgida nos anos 80, carro-chefe do evento.

A abertura ficou a cargo da mexicana Strikemaster, que trouxe um thrash metal reto e direto, sem predominância de firulas melódicas nem riffs minimalistas. A caçula da noite apresentou músicas de seu único disco, “Up for the Massacre” (2006), e do EP “Inflexible Steel” (2008). Com toda a certeza, angariou fãs baianos a partir daquela noite.

Na seqüência, surgiram no palco os veteranos da Headhunter Death Cult, cujo repertório de death metal foi concentrado no álbum “God’s Spreding Cancer…” (2007). Devido ao curto tempo disponível para a apresentação, poucas músicas foram executadas, o que deixou parte do público ainda sedento por blast beats e levadas cadenciadas. Antes do fechar das cortinas, a banda baiana atendeu ao clamor dos fãs e desferiu “Am I Crazy?”, petardo do álbum de estréia, “Born… Suffer… Die” (1991).

Mas a esperada atração internacional veio a público minutos depois. Com os instrumentistas já em posição de combate, eis que surge o vocalista George Call, com seu colete repleto de patches em homenagem a outras bandas oitentistas e de pouca circulação, como Riot, Agent Steel, Root e Savage Grace. Para abrir o show, os texanos da Omen escolheram a empolgante “Death Rider”, cujo refrão foi entoado por boa parte dos presentes.

Outras canções com boa resposta do público foram “Ruby Eyes of the Serpent”, “Die by the Blade” e “Warning of Danger”. Durante todo o repertório de heavy metal ao estilo da NWOBHM, a movimentação dos headbangers baianos acompanhou o andamento veloz e o ritmo preciso da banda americana. É bom ressaltar que as linhas vocais foram seguidas fielmente pelo novo frontman, em substituição ao falecido J.D. Kimball, que gravou os álbuns “Battle Cry” (1984) e “Warning of Danger” (1985). Ao bis, os coroas voltaram para o derradeiro “Battle Cry” e o mosh do guitarrista Kenny Powell, único remanescente da formação original.

É fato que Salvador ainda não garantiu seu lugar cativo no roteiro de shows internacionais. Mas quem conferiu o Omen no palco pôde sentir, durante uma hora, a sensação rara de ter uma grande banda de heavy metal na metrópole.

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Sobre o Autor

Alan Botelho é jornalista sem diploma e músico que embroma. Não lê partitura nem literatura. Acredita no riff de três notas e no jornalismo "qualquer-nota". Todos os posts de Alan Botelho.