Entrevista: Thiago Bianchi

em 30 Novembro, 2009 | Entrevistas


Thiago Bianchi é o atual vocalista da banda Shaman e acumula em seu currículo de produtor musical trabalhos com grandes nomes do heavy metal nacional como Angra, Kiko Loureiro, Edu Ardanuy, Tuatha de Dannan e Karma, grupo que também já integrou. Em turnê pelo Nordeste, ele vai se apresentar em Salvador, acompanhado pela banda Burning Heart, no dia 02 de dezembro, às 22h, na Boomerangue. Um dia antes, ministra um workseminar de gravação de vozes, no Estúdio K., às 20h. O Salvador Alternativo conversou com Bianchi sobre a sua carreira e passagem pela cidade.

Salvador Alternativo: O que o público soteropolitano pode esperar deste evento marcado para o dia 02 de dezembro?

Thiago Bianchi: Salve galera de Salvador e região!! A minha subida pra Salvador está cheia de surpresas realmente. Serei acompanhado pela banda mais que talentosa Burning Heart. Eles são aí da região e são excepcionais… Faremos um repertório totalmente diferente do que estou acostumado em meus workshows! Será realmente uma grande festa!

S.A.: Quais são os próximos passos do Shaman? Há novidades em vista?

T.B.: Olha, o Shaman está mais vivo do que nunca! Estamos terminando o disco novo, mais precisamente na sétima música… E lhes digo que está ficando surpreendente… Até pra nós mesmos! (Risos) Temos uma sintonia fina do que queremos como banda. De fato, terapêutico compor um disco com uma galera tão virtuosa, não só tecnicamente, mas também no quesito idéias! Fica realmente fácil de produzir o disco assim. Sem contar que ainda tem o DVD que gravamos na Europa, como  headliners do festival Master Of Rock, onde, inclusive, fomos acompanhados pela Orquestra do maestro turco Musa Gocman. Um show realmente digno de ser registrado num dvd. A idéia é que seja um material triplo: CD novo, DVD e CD do DVD… Além disso, o “Immortal” está sendo relançado pela Voice Music, em versão dupla, acompanhado do CD do DVD “Anime Alive” e ainda 5 bônus, sendo uma inédita tocada pelo Shaman. É uma surpresa, na verdade! Muito boa também! (Risos)

S.A.: Sua carreira é vasta e inclui trabalhos com diversas bandas, tanto como produtor quanto como vocalista. Qual seria o seu trabalho de maior legado musical, na sua opinião?

T.B.: Hum… Sim… Obrigado por notar! (Risos) Bom, sinceramente são como filhos e, realmente, é difícil escolher esse ou aquele. Mas claro que tenho meus xodós… (Risos) Cada um, a sua maneira, me fez crescer muito… Cada um de uma maneira diferente, mas igualmente importante. Os que eu destacaria seriam:
“Immortal” – Shaman: Por ter me alavancado e, de fato, ter me revelado ao mundo do metal… E, claro, também por ter sido um desafio, já que este tipo de metal nunca tinha sido minha veia mais forte.
“Leave Now!!!” – Karma: Por ter sido feito num período tão conturbado e tão sem futuro de minha vida [N. do R.: ler bio do músico em seu site www.thiagobianchi.com.br] E, no fim, de fato só assim poderia nascer uma pérola do prog como essa ao meu ver.
E os outros… Tantos outros tenho muito carinho e respeito. Hpje posso dizer que tenho orgulho por ter contribuído tanto para o rock no Brasil. Acredite, não há um dia em que eu acorde e ponha os pés no chão de manhã que eu não faça algo de produtivo para o Brasil continuar figurando como um dos grandes nomes do rock mundial.

S.A.: Sendo filho de músicos é quase inevitável trilhar este caminho também? E como foi, no início da sua carreira, conciliar a música com o desenho?

T.B.: Ah, quando se é muleque, sabe como é… Faz de tudo! Não era só isso… Ainda fui federado em basquete pelo colégio Olavo Bilac, onde inclusive levantamos a taça “Dan Up” [N. do R.: Importante campeonato das ligas estudantis do Estado de SP], além também de seguir como goleiro no futebol, pelo mesmo colégio. Então, conciliar  coisas é o que a gente faz na vida, ainda mais o que amamos. O fato é que a música falou mais alto, por ser o que realmente me move… E é isso.

S.A.: Você se sente mais à vontade no metal ou na música erudita?

T.B.: Pra ser sincero, sou fã de música boa. Independente desse ou daquele estilo… claro que minha vida é galgada no metal, mas, justamente nesse estilo, pra serem melhor executadas as técnicas de voz envolvidas, a necessidade de estudar canto lírico se faz presente. Sempre me divirto muito cantando áreas e peças eruditas… Mas são apenas caminhos rumo a um objetivo principal: melhorar minha performance vocálica. Minha vida é o rock.

S.A.: Hoje em dia, muitos jovens preferem ir a workshops e workshows do que a shows propriamente ditos. Como você encara esta mudança no público, se é que ela existe realmente?

T.B.: Olha… Acho que muito disso vem da baixa qualidade musical apresentada por muitas bandas ultimamente. Acho que dinheiro e arte sempre estiveram mesclados, mas nunca um substituir o outro. A diminuição das vendas de discos, por conta da pirataria, causou uma necessidade de se “tapar o buraco” deixado pela situação, obrigando muitas vezes as bandas aumentarem seu número de shows para poder faturar mais, gerando uma sobrecarga nos músicos, que, por sua vez, não conseguem mais entregar em cada apesentação toda a energia esperada pelo público e até existente dentro do músico, mas infelizmente exaurida pelo acúmulo de datas em sua agenda.
Nos works as pessoas podem ver um pouco mais do músico como “pessoa”, ver de perto como ele faz o que faz, além de poder estar presente numa situção onde o mesmo tem muito mais espaço para poder mostrar o que pode, com uma boa parcela de energia em seus pulmões!

S.A.: De toda a cena brasileira atual, quais vocalistas de heavy metal e gêneros similares você destacaria como nomes de qualidade ímpar?

T.B.: Hum… Olha, o Brasil é um celeiro incrível de jovens talentos atentos a serem descobertos. Além dos nomes tradicionais dos já chamados “medalhões”, como Nando Fernandes, Andre Matos, Edu Falaschi, Christian Passos e etc, também temos essa galera que corre por fora, mas com muito fôlego e disposição… Tais como: Iuri (Hybria), Leandro Caçoilo (Eterna), Thiago Buslik (Live & Louder). Nossa… Eu ficaria aqui a tarde inteira! (Risos) Brasil tem muita gente! Só que, às vezes, sinto que os próprios brasileiros não estão preparados para sua própria cultura.

S.A.: A Burning Heart, banda baiana de hard rock, vai se apresentar com você nestes shows em Salvador e Aracaju. Como conheceu a banda? Já existia algum contato anterior com os integrantes? Você tem aproximação com membros de outras bandas da Bahia?

T.B.: Foi por um amigo em comum, o Alê da Rádio RockFreeday! Ele me passou o contato do Valter e comentou que Salvador estava carente por uma aprensentação diferente! E, claro, pelo Shaman! (Risos) Então, duas coisas deixo claro aqui… Eu estou chegando agora e o Shaman também não demora não! (Risos) Quanto à Burning Heart, quero aproveitar para agradê-los pela energia, paciência e alegria com que estão fazendo todo esse trabalho comigo. Já era fã e agora eles também têm minha amizade e respeito!

S.A.: A vertente progressiva do heavy metal é encarada por alguns como algo chato, maçante, excessivamente técnico e sem vida. Na perspectiva de quem já trabalhou muito com esta linha musical, o que essas declarações têm de verdade e de mentira?

T.B.: Nossa! Hum… Não sei bem como responder a essa pergunta… Bom, conheço pessoas que não gostam de chocolate. Como isso é possível, né? Mas acontece… Ainda assim, o Dream Theater vem aumentando cada vez mais seu publico perante o mundo, o mesmo acontece com Rush, Symphony X. Isso sem contar que toda banda que voltou dos mortos como Metallica, Megadeth e cia, voltaram trazendo sua marca mais forte, a progressividade dentro do metal. Vide seus discos mais conceituados e, coincidentemente, mais profundos e prog, “…And Justice for All” e “Rust in Peace”.
Agora eu que te pergunto… Como explica-se isso? Volto a afirmar. Só existem dois tipos de música: boa e ruim. Cabe a nós apenas ouvirmos o que nos faz sentir bem e só.

S.A.: Muito obrigado pela entrevista e sucesso na sua jornada musical! Deixe um comentário para os leitores do Salvador Alternativo.

T.B.: Obrigado e espero todos na Boomerangue (02/12) e Estúdio K (01/12)!!

Entrevista por Alan Botelho e Clara Marques Campos

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Sobre o Autor

Alan Botelho é jornalista sem diploma e músico que embroma. Não lê partitura nem literatura. Acredita no riff de três notas e no jornalismo "qualquer-nota". Todos os posts de Alan Botelho.